11 novembro 2013

As "magrelas" em destaque no Jornal Minuano

Com reportagem de Melissa LouçanJornal Minuano destacou nesta segunda-feira, 11 de novembro, a utilização das "magrelas" em nosso município.

Exemplos como o da Lorena Robaina e Felipe Lima deveriam ser seguidos cada vez por mais por parte da população bajeense.
Agradecemos o apoio da Imprensa Claudia Souza Vereadora, e seu assessor,Cristian Pimenta Becker, assim como o Vereador Lelinho Lopes que também luta pela causa, porém infelizmente, atos simples como uma simples solicitação de limpezas em ciclovias, já estão para serem analisadas e viabilizadas à mais de TRÊS ANOS. 
É hora de abrir mais os olhos para este segmento, meu amigo Dudu Colombo...
Bagé está "pedalando" no caminho certo, porem poderíamos fazer muito mais, se não esbarrássemos em tanta burocracia!
Acompanhe abaixo:

No pedal da evolução

Como as bicicletas se tornaram uma alternativa sustentável para o trânsito urbano

"Eu não estaria frequentando a universidade se não fosse a bike", declara Lima

Crédito: ANTÔNIO ROCHA
+ Fotos
Em uma cidade com mais de 50 mil automóveis e um sistema de mobilidade urbana que ainda engatinha como Bagé, é normal pensar no estressante trânsito da cidade. Contudo, a cada dia cresce o número de pessoas que optam por um sistema alternativo, barato e sustentável de meio de transporte: a bicicleta.
Apesar de a tendência ser relativamente nova na cidade, as bikes já são um meio de transporte oficial em outros países, como Holanda, Alemanha, França e Suíça.  Nestes países, as bicicletas surgem como uma alternativa mais barata e limpa, sendo sua prática estimulada por projetos do próprio governo. Esta popularização deve-se, principalmente, ao aumento do preço do petróleo e a práticas sustentáveis.
Na Holanda, por exemplo, mesmo com o grande número de praticantes, o governo projeta estimular um aumento de 20% do número de ciclistas que utilizam as duas rodas no trânsito nos próximos anos. Para isso, investe pesado em tecnologia e infraestrutura adequada para os ciclistas, como criar ciclovias com faixas que brilham no escuro e pistas aquecidas. A intenção é utilizar estas novas tecnologias para garantir a viagem de bike independente do clima de verão ou inverno europeu.
Algumas facilidades, como bicicletários nas estações de metrô e terminais de ônibus (ou mesmo a possibilidade de levá-las dentro dos trens e ônibus), faixas preferenciais para ciclistas, ciclovias em avenidas com muito tráfego e até mesmo mapas específicos para ciclistas são itens que ajudam muito nessa incorporação e que há muito existem no exterior para facilitar essa integração.
 
Realidade brasileira
O Brasil, apesar de ser o 5º maior consumidor de bicicletas do mundo (4,5 milhões de unidades por ano), ocupa a 22ª posição na relação unidade por habitante (0,025). China, Estados Unidos e Japão são os três maiores mercados consumidores. Já Eslovênia - com mais de uma bicicleta por habitante, Dinamarca e Japão são, respectivamente, os países com o maior índice de unidades per capita. Nessa relação, os Estados Unidos ficam na sexta posição, com 0,60 bicicleta por habitante.
No país, há cerca de 10 anos grupos se organizam na tentativa de propor a utilização da bicicleta como meio de transporte oficial, por ser não poluente e de fácil manutenção. Apesar de ter crescido muito na última década, o movimento brasileiro ainda não pode ser comparado aos demais modelos, onde o número de bicicletas é comparável ao número de automóveis nas ruas.
 Aqui, a principal queixa é a falta de respeito e cuidados que motoristas teriam com quem pedala nas ruas. Em algumas situações, o desrespeito se transforma em índices fatais. Na maior cidade do país, São Paulo, cerca de 5% dos acidentes com mortes acontecem com ciclistas, por exemplo. Além do descaso de motoristas, ainda falta a estrutura necessária para uma coexistência pacífica entre bicicletas e veículos motorizados.
O presidente da Associação Bajeense de Ciclismo e Mobilidade, Heron Regert, define essa tendência: "Já se foi o tempo em que ter um carro era sinônimo de status. Hoje, muitos aboliram esta ideia devido ao alto custo que se tem, seja manutenção, impostos, desvalorização, estacionamento, mobilidade, entre outros. Ao escolher a bicicleta, economiza no gasto com combustíveis, ganha em saúde e em tempo, já que não vai correr o risco de ficar preso no trânsito ou demorar para encontrar estacionamento", aponta ele.
Regert estima que existam mais de mil ciclistas ativos na cidade, o que não equivale nem à terça parte de automóveis em circulação em Bagé. Mas segundo ele, este é o quarto ano em que se venderam mais bicicletas do que automóveis no país. Mesmo assim, o benefício para quem opta pelo transporte mais barato e menos poluente ainda não é integral. "O interesse do governo são os carros, que geram impostos anuais, além de todos os demais gastos que o motorista tem para manter seu veículo, enquanto aqui no Brasil a bicicleta possui um dos impostos mais caros do mundo para comercialização e mesmo assim ainda é uma boa opção de economia", conta. 
Ciente desse elevado valor, o deputado federal Paulo Pimenta elaborou um projeto de lei para propor ao Ministério da Fazenda a isenção do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para bicicletas, peças e acessórios, além de reduzir a zero a alíquota do PIS/Pasep e Cofins, buscando a ampliação das políticas de incentivo ao uso da "magrela"como meio de transporte urbano. "O projeto vai facilitar e estimular a compra e o uso massivo das bikes como parte de solução dos problemas de trânsito e também ambientais", define Regert.
O ciclista mantém o blog As magrelas em Bagé e no Mundo, onde, além de comentar notícias relacionadas à cultura do ciclismo, também posta vídeo e fotos de flagrantes de desrespeito com os praticantes na cidade. O endereço para acesso é heronregert.blogspot.com.br.
 
Quem pratica, recomenda
Há cerca de cinco anos a consultora de marketing, Lorena Robaina, 32 anos, trocou as duas rodas de sua moto pelas duas rodas da magrela. Ela conta que sempre gostou de pedalar, mas seu interesse maior surgiu em 2008, quando se juntou ao grupo Pedalada do Batom, que reúne mulheres bajeenses durante os finais de semana para praticar o exercício.
Com o tempo, a prática foi se aprimorando e ela foi deixando a moto cada vez mais de lado, dando espaço para a bicicleta nas atividades do dia a dia. Ela conta que atualmente, a moto está completamente desativada. "Faço tudo que tenho que fazer de bike. Até em dias de chuva eu uso ela. Só quando preciso sair com meu filho (Arthur, um ano e três meses) é que eu uso táxi ou outro meio de transporte. Assim, economizo cerca de R$ 200 por mês", avalia.
A empresária relata, ainda, que parou de pedalar apenas durante alguns meses, aos seis meses de gestação, por recomendação médica. Mas logo após o nascimento de Arthur, recuperou o tempo perdido e através da pedalada, perdeu os 44 kg adquiridos durante a gravidez. "Pedalar é uma forma de canalizar as energias da semana e cuidar do bem estar físico e mental. É uma terapia e ainda é econômica", brinca.
A única preocupação de Lorena é quanto à falta de respeito de alguns motoristas quanto à segurança dos ciclistas. Para ela, falta política da boa vizinhança e consciência para contornar essa situação. "Depois de algum tempo pedalando, a gente aprende a ter atenção. Mas falta conscientização e atenção de todas as partes. Tem que ter empatia por parte dos motoristas, eles devem se colocar no lugar dos ciclistas e procurar respeitar a lei e a sinalização", diz.
O estudante universitário Felipe Lima, 25 anos, também aderiu à magrela como meio de transporte. Ele explica que começou a utilizar a bicicleta ainda quando criança para ir à escola, que ficava distante de onde morava. Com o tempo, pegou a prática e atualmente percorre cerca de 15 quilômetros por dia no trajeto entre a residência, nas proximidades do bairro São Judas, até a Unipampa. 
Lima relata que as despesas diárias com o transporte coletivo seriam inviáveis para frequentar a universidade. "Eu não estaria frequentando a universidade se não fosse a bike. Nunca cheguei a calcular quanto gastaria por mês para ir e voltar da Unipampa, mas certamente seria um valor alto", afirma.
Percorrendo a cidade há anos a bordo de sua magrela, Lima conhece a realidade da mobilidade urbana na cidade. Ele aponta a falta de infraestrutura como uma das principais dificuldades enfrentadas pelos ciclistas. "Nós precisamos de mais ciclovias e ciclofaixas para aumentar a circulação, especialmente em zonas de ensino. Também seria importante a instalação de bicicletários, especialmente aqui na universidade, onde muitas pessoas usam a bicicleta como meio de transporte", avalia.
 
Em busca de melhorias 
Com a proposta de melhorar a mobilidade e criar uma malha urbana que beneficie os ciclistas, a vereadora Cláudia Souza apresentou no Legislativo quatro propostas. A primeira versa sobre a revitalização e ampliação da ciclovia localizada entre o leito da Viação Férrea até o Trevo do 21, interligando com a avenida Visconde de Ribeiro Magalhães.
A outra proposta busca estudar a viabilidade da implantação de uma ciclovia entre a rótula da avenida José do Patocínio até a rótula da avenida de Leonel de Moura Brizola, chegando até o IFSul. A terceira proposta busca a revitalização, saneamento, paisagismo e arborização da ciclovia da avenida Átila Taborda, no bairro Arvorezinha. Já a última proposição é sobre a viabilidade de instalação de uma ciclofaixa entre a rótula da avenida Santa Tecla através da rua Clélia Gomes Araújo, dando acesso à Unipampa. 
De acordo com a assessoria da vereadora, os compromissos foram apresentados durante a primeira legislatura e reafirmados neste segundo mandato. Todas as propostas ainda estão em fase de análise na casa legislativa.
 
Principais benefícios
Grande mobilidade e agilidade no tráfego;
Baixo nível de ruído;
Baixa intrusão visual;
Ausência de emissão de gases poluentes;
Vantagens à saúde;
Necessidade de pouco espaço na via
e em estacionamento;
Redução do custo nos deslocamentos diários, com baixo custo de aquisição e manutenção do equipamento.
 
Ciclorrota é a denominação mais geral para se referir a qualquer caminho ou rota que permita um tráfego mais intenso de bicicletas nas cidades
Ciclofaixas são ciclorrotas criadas em ruas, avenidas e estradas para o uso dos ciclistas, separadas das faixas ocupadas pelos demais veículos por sinalização de chão, placas ou cones
Ciclovias, diferentemente das ciclofaixas, são ciclorrotas separadas do restante do trânsito por meio de canteiros e com uma pista exclusiva para o tráfego de bicicletas.
 
Por: Melissa Louçan