Eis que chega ao final, o tão esperado Paris Brest Paris, evento máximo das provas de ciclismo não competitivo, da série Super Randonneurs. Neste ano de 2015, o Clube Audax Bagé enviou os seus primeiros representantes, já que na edição anterior, em 2011, quando Goodymar C. Oliveira e Carlos Ruberti, representaram o município de Bagé, o Clube Audax Bagé, ainda não tinha o seu registro junto à ACP francesa. No total, foram 07 ciclistas, entre mais de 6.000 participantes, oriundos de todos os continentes, diversos países, diversas nacionalidades e inúmeras culturas diferentes, unidos atrás de um único objetivo e uma única paixão: PEDALAR.
Hoje Bagé já se encontra em festa, após 90 horas de nervosismo, com a comunidade do pedal bajeense acompanhando através do site oficial do evento, o passo a passo de cada ciclista, atentos aos registros efetuados a cada Posto de Controle, ao qual nossos representantes passavam, já que nem todos largaram no mesmo horário, e poucos conseguiram manter-se unidos durante o trajeto.
Para a nossa ânsia e desespero, nos chega a notícia de que Nilton Sittoni, após já ter pedalado mais de 700 quilômetros havia abandonado a prova, pois não suportava mais o frio, já que as variações climáticas foram extremas, com altas temperaturas durante o dia, e baixíssimas durante a noite, castigando ainda mais os "guerreiros" participantes. O mesmo caso aconteceu com Itiberê Silva, que segundo relato de parentes, em ligações com a voz trêmula procurava forças para não desistir do tão sonhado feito.
Enquanto isto, Leonardo Hahn e seu cunhado Adriano Pacheco, vinham firme e fortes, ou nem tão firme e nem tão fortes, pois uma prova dessas leva ao extremo todo e qualquer corpo humano, e já com cerca de 900 quilômetros, Leonardo com medo de não conseguir concluir, dá o comando ao seu companheiro de pedal: "Adriano, vai que é tua! Vou levando e indo como posso. Não quero lhe prejudicar." Com certeza Adriano saiu contrariado por deixar seu companheiro para trás, e mesmo com as mãos em feridas, Adriano "prensou o passo" e seguiu em frente, enquanto Leonardo continuava pouco mais atrás. Destes dois, ambos completaram dentro do tempo regulamentar o evento, com um total de 88 horas (Adriano) e 89 horas (Leonardo), das 90 horas ao qual os participantes tem para encarar os "bem ditos" 1.230 quilômetros.
Preocupado com Leonardo e Adriano, Gerson Lopes, que achava que estava atrás deles, vinha com o "pedal firme" tentando alcançá-los, porém mal sabia ele que já havia passado por eles, em algum Posto de Controle, e com tantas bicicletas, tantos participantes, não encontrar seus companheiros era algo fácil de acontecer. Já quase na linha de chegada, faltando apenas 60 quilômetros, a organização do evento tenta retirá-lo da prova, pois seu corpo debilitado já mostrava sinal de fadiga extrema, ao qual a garra não o deixou abandonar o seu sonho, não por 60 quilômetros, após ter pedalado mais de 1.100. Abandonar era a loucura mais impensável para Gerson neste momento, e convenceu os juízes de prova de que alguns minutos de descanso, e com a ajuda de algumas medicações, ele poderia se reestabelecer e concluir a prova, já que estava com tempo de sobra para tal. A ajuda de um brasileiro fluente em francês ajudou Gerson a conseguir tal autorização para continuar, e lá foi Gerson para concluir a sua jornada, com um total de 83 horas e 31 minutos.
Mais à frente, puxando a fila dos bajeenses, André Ianzer vinha surpreendendo à todos que vinham lhe acompanhando na "transmissão quase ao vivo" do site, com uma excelente média, e com uma boa tática para repor seu sono, André foi um dos bajeenses ao qual melhor conseguiu colocar em prática todos os seus treinamentos para este evento, completando o evento em 78 horas e 21 minutos.
Então, dos 07 participantes do Clube Audax Bagé, 04 já haviam completado, 02 desistido, e faltava apenas 01 guerreiro, o tempo quase estourando, e nosso "Prefeito guerreiro", ao qual começou a pedalar há menos de 02 anos, Super Randonneurs 2015, agora com uma quilometragem imensa na bagagem, Luis Carlos Folador, chega ao último Posto de Controle, faltando 60 quilômetros para a chegada, e com apenas 01 hora para efetuar este trajeto. Esperanças da conclusão dentro do tempo hábil já não havia mais, mas a garra e a determinação deste guerreiro são qualidades que devem ser reconhecidas, um mérito, pois ele concluiu o trajeto. Após o tempo regulamentar de 90 horas, mas desistir? Nã nã! Com um total de 94 horas e 01 minuto, Folador chega ao "finish" e nos coloca em estado de elforia e calmaria ao mesmo tempo, pois nós que estávamos na torcida, sabíamos, assim como eles, de todos os perigos que o trânsito oferece, de todas as adversidades que o corpo sofre ao ser levado até um patamar de tamanho esforço.
À estes "guerreiros", sem excessões! Registro a minha admiração, o meu respeito e parabenizo, emocionado à cada um. Agora é aguardar a chegada desta turma, para ouvirmos de cada um, a sua versão, a sua história, e "que história"! Essa sim, é daquelas "sensacionais", histórias de um avô contar para um neto, mas é claro que muitas e muitas vezes eles terão que contar aos seus amigos...
Galera, mais uma vez, PARABÉNS!!!! Vocês são de mais!!!!
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André Ianzer, Luis Carlos Folador, Itiberê Silva, Adriano Pacheco, Gerson Lopes, Leonardo Hahn e Nilton Sittoni. |
Link's relacionados:
Roteiro PBP Strava (Adriano Pacheco)
Site oficial do evento